Andei depressa para não rever meus passos, por uma noite tão fulgás que eu nem senti,
Tão lancinante, que ao olhar pra trás agora, só me restam devaneios do que um dia eu vivi;
Se eu soubesse que o amor é coisa aguda... que tão brutal percorre início, meio e fim,
Destrincha a alma, corta fundo na espinha, inebria a garganta, fere a quem quiser ferir...
Enquanto andava, maldizendo a poesia, eu contei a história minha pra uma noite que rompeu...
Virou do avesso, e ao chegar a luz do dia, tropecei em mais um verso sobre o que o tempo esqueceu...
E nessa Saga venho com pedras e brasa, venho com força, mas sem nunca me esquecer,
Que era fácil se perder por entre sonhos, e deixar o coração sangrando até enlouquecer...
E era de gozo, uma mentira, uma bobagem... senti meu peito, atingido, se inflamar,
E fui gostando do sabor daquela coisa, viciando em cada verso que o amor veio trovar...
Mas, de repente, uma farpa meio intrusa, veio cegar minha emoção de suspirar...
Se eu soubesse que o amor é coisa assim, não pegava, não bebia, não deixava embebedar...
E agora andando, encharcado de estrelas, eu cantei a noite inteira pro meu peito sossegar,
Me fiz tão forte quanto o escuro do infinito, e tão frágil quanto o brilho da manhã que eu vi chegar...
E nessa Saga venho com pedras e brasa... venho sorrindo, mas sem nunca me esquecer,
Que era fácil se perder por entre sonhos, e deixar o coração sangrando até enlouquecer...
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